quarta-feira, 31 de julho de 2013

- 334 dias

péssimo dia
péssimo humor
péssima vida
péssimo ser tudo tão péssimo :(

E alguém ainda vem me dizer pra me conformar com a minha vida porque Nietzsche também tinha uma merda de vida.... era um porra louco... a solidão era sua eterna companhia, vivia doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego... de dor (ou de raiva, diria eu).

E daí? Por que razão vou comparar minha vida com a de outro? A minha dor é a minha dor. E é dor que não acaba mais.... que saco!

terça-feira, 30 de julho de 2013

- 335 dias

15:30 - Hoje trabalhei como um ser humano normal. Atendi a meus pacientes com um sorriso benevolente.... sorriso de festa.

Não, não se alegre... não estou achando que viver é uma festa, não. O que acontece é que há dias que precisam um pouquinho do chamado 'calor humano', ou sei lá o que que os torne menos duros, frios, pavorosos...

Continuou achando tudo uma merda mesmo... uma porra de vida.

Mas fazer o quê? Não posso descontar nos outros meu ódio, minha dor, meu sofrimento.

Escondi... escondo... atrás do sorriso de festa um gosto amargo da vida. Escondo o desprezível em mim. Não me revelo demais, nem de menos. Simplesmente não me revelo e ponto.

Uso máscaras. Você não?

Tá bom! Vou fazer de conta que acredito que você nunca, mas nunquinha mesmo colocou um sorriso de festa, junto com vestido de festa, terno de festa, sapato de festa... cabelo de festa... não... você nunca fez isso.

Qual será a recompensa pra tamanha dor? Talvez, só talvez não haja nenhuma... mesmo.

Bom, por enquanto vou seguir o dia me escondendo atrás do maldito sorriso que teima em se escancarar na minha cara.

Você já ouviu falar de Sartre? Creio que sim... gosto disto que ele disse: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você."

Muito bom isso... significa que posso dispor ao meu bel prazer de tudo o que fizeram e fazem comigo.... tá bom :(

segunda-feira, 29 de julho de 2013

- 336 dias

12 horas -  Acabei de sair da banheira... depois de cinco dias sem banho, eu merecia pelo menos cinco horas de imersão em água quente com sal amargo - 1 hora; água quente, sal amargo e álcool - 1 hora; água quente, sal amargo e bicarbonato de sódio - 1 hora; água quente e sais de banho - 2 horas.

Desintoxiquei... perfumei.

Mas a angústia continua... os delírios, as alucinações multiplicam-se. Não há água que dê jeito? Tem de haver algo que resolva o sufocar que sinto ao acordar, ao sair do quarto, ao lembrar que sou um ser humano. Sou  gente.... e não entendo nada de gente. Quem me meteu nesta enrascada? Palhaçada!

Registro aqui minha total revolta e não aceitação de ser quem sou... que merda... cada vez me convenço mais de que não posso fazer nada... nada... e nada.

O que me consola? Já sei como resolver o meu maior problema sem dor: deixar de ser um ser vivo... por conta própria, sem risco.... descobri como, enquanto me banhava em águas quentes e salgadas...

domingo, 28 de julho de 2013

- 337 dias

22 horas - Estou testando os limites do meu corpo. Cinco dias sem tomar banho. O número total de calorias de que um corpo precisa em um dia é a soma de três cálculos complicados.... a  minha média é 2.300... estou ingerindo três vezes mais... só quero ver n que vai dar.

Tudo tem limite. Até minha paciência. Sou assim... meio viv@, meio  mort@. Não que isso importe, de qualquer forma meu prazo de validade já está estipulado.

Não, não fique feliz... o seu também está.

Hoje li alguma coisa mais ou menos assim: a gente até engana os outros que é feliz... mas por dentro... Ahah! eu sabia... eu sabia que não era @ únic@ com angústia apertando o peito... com uma solidão imensa, um vazio abissal.

Então vivo testando meus limites... assim ocupo minha mente, demente em outras coisas que não só o meu próprio caos.

E vou vivendo, morrendo, na verdade... e você também.



sábado, 27 de julho de 2013

- 338 dias

20 horas - Hoje socializei. Fui ao shopping com amigos. Resisti a tentação de sair correndo mil vezes. Dialoguei... silenciei meu monólogo interior.... dialoguei. A bem da verdade mais escutei do que falei. Mas, pelo  menos tentei...

As pessoas realmente gostam umas das outras? Por que alguém se dispõe sair da 'paz' de seu lar e vai encontrar outras pessoas num local cheio de gente... num lugar de puro consumismo? É deprimente a necessidade de ter.... será que alguém consegue só ser?

Tenho tido sonhos/pesadelos os mais estranhos. Ontem sonhei/pesadelei que precisava urgentemente me olhar no espelho. Mas não tinha espelho em casa... (Qual o significado disso? - Deve haver alguma explicação (i)lógica). Então saí pra rua... era noite, as ruas estavam desertas, as luzes dos postes não estavam acesas.... todas as lâmpadas queimadas.

Sempre sonho em preto e branco. Só uma vez na vida, houve um colorido em um sonho meu....

No sonho de ontem à noite, tudo cinza.... bem escuro, beirando ao preto. Mas eu  via nitidamente as formas. Em cada cinco ou seis postes, havia um espelho pendurado. Eu cheguei diante de um e não vi rosto.... só meus cabelos - amarelos, de um amarelo forte, artificial, horroroso. Este foi meu segundo sonho com alguma cor...

Se os sonhos refletem o nosso interior, o inconsciente.... sei lá.... se eles tem uma explicação lógica, o que seria esse cabelo amarelo?

Nem gosto de loir@s.....

sexta-feira, 26 de julho de 2013

- 339 dias

11:30 - O sol apareceu tímido. Sumiram as nuvens espessas que cobriam a cidade. As ruas quase desertas por causa do frio de repente encheram-se de pessoas que, como formigas, vão apressadas de um lado para outro - como se quisessem recuperar o tempo em que ficaram enfurnadas dentro de casa... tempo perdido?

Recuperar o tempo. Existe maior idiotice? O tempo passa e nós passamos pelo tempo - é exatamente assim que funciona. Ninguém consegue recuperá-lo.... por  mais que tente.

Um ódio me corrói. Odeio o sol... o mundo é menos civilizado quando o sol aparece.

Nos chuvosos dias... há o silêncio só interrompido pelo som da própria chuva batendo no telhado de zinco.... tenho boas sensações nesses momentos. Será coisa da minha infância?

Somos produtos de nossos dias, de nossos encontros e desencontros - alguns psicólogos e psiquiatras dizem.

Meu Deus! Devo ter tido dias horrorosos e apenas desencontros... pra me tornar o que sou.

Maldito passado... que fez de mim essa criatura desengonçada, desajeitada, desconjuntada, completamente desarticulada, sem sintonia, sem sincronia, sem simetria, incapaz de seguir um ritmo, 'desritmada', confusa em meus próprios pensamentos, em minhas ações... e reações.

'O que a [minha] história conta não passa [...] do pesadelo espesso e confuso da [minha][des] humanidade", lembrando Schopenhauer....

quinta-feira, 25 de julho de 2013

- 340 dias

Ânimo... um pouquinho só.

13 horas - Acabei de acordar. Passei a noite pelos mais tenebrosos lugares - o próprio inferno de Dante.

Um barqueiro insistia que eu entrasse no barco e seguisse para uma viagem rumo ao desconhecido. Adrenalina a mil. O barco cheio de furos, mas a água não entrava, navegávamos num que parecia mar tenebroso... mas o barco seguia como se estivesse em águas tranquilas.

A escuridão... podia tocá-la com a ponta dos dedos.... mas inacreditavelmente eu conseguia ver tudo.
O escuro não escondia as formas. O frio era congelante - congelava tudo, mas eu me sentia aquecid@.

Um abysmo... mas não me senti tragad@.... e tinha mais, muito mais... mas acabou o ânimo pra continuar...

...além disso tenho dentes pra arrancar... bocas pra cuidar - no sentido literal da palavra.

Quem sabe amanhã.... tudo bem, perdoe-me.... eu sei que o amanhã não é para todos :(